MUSEU A VILA INGLESA
Quais as razões de um museu – peça viva da história?
São várias!
Quando resolvi criar, modestamente, este pequeno museu, não tive outra intenção senão a preservação de materiais, industrializados ou artesanais, que viessem manter viva a memória daquela que foi a mais importante ferrovia brasileira, bem como prestar uma homenagem a todos que a construíram, a conduziram e a administraram.
São Paulo deve a esses homens sua pujança e sua incontestável liderança no cenário nacional. E, ao vir morar em Paranapiacaba deparei-me com enorme abandono daquilo que um dia movimentou a riqueza nacional, e trouxe à terra paulista a mão e a cultura estrangeira.
A SPR – São Paulo Railway não merecia o descaso e esquecimento a que estava relegada.
Nossas autoridades e meio cultural se esqueciam de reverenciar quem e o que mostrou ao mundo o valor da gente e da terra bandeirante. Estava esquecida a obra de Mauá – o mais ilustre de todos os brasileiros.
Vindo a saber que tudo, ou se perdia no meio serrano, ou era retirado para uso pessoal, não tive dúvidas de que deveria envidar meus esforços na salvaguarda do que ainda restava.
Lutando só, e contra a opinião de muitos, dei início à árdua tarefa de receber peças centenárias que estavam condenadas pelo esquecimento e descaso de nossa gente.
Foram semanas, meses e anos de um trabalho que demandou esforço financeiro para remunerar aqueles que se aventuravam na serra em busca do que se perdia. E, em seguida, envidar novos esforços na restauração de tão sofrido material.
A ferrugem, o desgaste, as rachaduras, as quebras, a perda da cor original – tudo poderia contribuir para um desânimo na execução da tarefa – mas, ao contrário, contribuíram para que renovasse meu ânimo e assim poder continuar no rumo da tarefa escolhida.
Muita coisa ainda há a ser feita, mas toda reconstrução do passado demanda tempo, paciência e estudo. Na pressa podemos passar por cima de detalhes, que, no fim, não são apenas simples detalhes. E, sendo assim, este trabalho vai vagarosamente ganhando corpo, na esperança de que a cada momento surja uma nova tarefa a ser realizada.
Dessa forma, que cada peça restaurada traga em seu seio a energia e a lembrança daqueles bravos homens, que na mata, no frio, na neblina, na chuva, nos acidentes e na árdua tarefa construíram um novo pais, e elevaram o nome de São Paulo ao topo máximo de uma nação que das cinzas de um colonialismo agrário surgia para um promissor futuro.
À SPR – São Paulo Railway e a seus homens – a minha homenagem!
Obs.: As fotos mostram apenas pequena parte do acervo ferroviário.