O pinho-de-riga (Pinus Sylvestris) é um abeto da família das pináceas - coníferas originárias da América do Norte e do Oeste e Norte da Europa, e da Ásia.
É uma madeira de cor marfim, leve, de talho fácil, resistente à flexão.
Devido a isso foi largamente utilizado nesses continentes, na construção civil, marcenaria e como matéria-prima para papel. Possui lindos veios estreitos, claros e escuros. Estes últimos são os veios de inverno. Chega medir 35 metros, ou mais, de altura, e também é utilizado como árvore ornamental.
Quanto aos cupins existe contradição em relação à resistência da madeira. Uns dizem que ela é resistente, porém o professor de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, com Mestrado em Entomologia, Eurípedes Barsanulfo Menezes, afirma que o pinho-de-riga favorece o apetite dos cupins, por ser rico em resina, da qual se extrai a terebintina. Esta opinião é corroborada pelo trabalho de restauração que foi necessário fazer para recuperar a estátua eqüestre de D. Pedro II, no Museu Histórico Nacional, em 1999. Isto foi provocado pela ação dos cupins sobre as pranchas de pinho-de-riga da base da estátua.
A madeira é conhecida por diversos nomes, tais como: pinheiro-de-riga, pinheiro-da-escócia, pinheiro-da-rússia, pinheiro-vermelho-do-báltico, pinheiro-do-norte, pinheiro-de-genebra, pinheiro-bravo, pinheiro-comum, pinheiro-silvestre, pinheiro-de-casquinha.
Sua utilização vem de longo tempo, como na recuperação da cidade de Lisboa, após o grande incêndio lá verificado, no final do século XVIII.
Por ser madeira abundante, seu preço era baixo, e foi muito utilizado também em nosso país, notadamente nas grandes cidades. Em São Paulo está presente, por exemplo, nas portas do Edifício Martinelli e no forro do Museu da Língua Portuguesa na Estação da Luz. Sua importação foi incrementada a partir de 1880.
Foi também largamente usado na construção dos vagões ferroviários. A ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) o utiliza no restauro desses vagões antigos em suas oficinas, principalmente junto ao Museu do Imigrante na Mooca, em São Paulo.
Fato curioso é que chegou a ser muito usado como lastro de navios. Quando estes aportavam em nossa terra e precisavam esvaziar os porões, para levarem carga útil, o pinho-de-riga era abandonado nas praias, e recolhido pelos mais pobres, para construção de suas residências.
Sua grande utilização em nosso país verificou-se até a I Guerra Mundial (1914-1918), quando cessou sua importação. Talvez pelo fato de ter sido necessário para os ingleses na feitura de apetrechos militares.
Há registros de que tenha vindo também da Irlanda, mas a maior parte foi importada da região báltica, e era embarcado no porto de Riga, capital da Letônia.
Quando deixamos de importá-lo, passamos a usar a madeira nacional, principalmente a, também linda, peroba.
Hoje em dia, pode ser encontrado em firmas que trabalham com demolições. Devido à sua beleza e escassez, não é mais utilizado em construção, ficando seu uso restrito a móveis, portas, batentes, janelas e instrumentos musicais.
Em Paranapiacaba foi largamente utilizado na construção das casas de madeira da parte inglesa. Junto com a peroba-rosa está presente até os dias de hoje nesses imóveis centenários. Pode ser apreciado no Bar e Restaurante Apiaca, situado na Avenida Campos Salles, 400, onde o salão principal teve a pintura de suas paredes quase completamente raspada, para permitir o belo visual da madeira.
Quanto aos móveis, pode ser observado em grandes mesas existentes tanto no Clube Lyra Serrano, quanto no Museu do Castelo.
Na residência deste autor, à Avenida Campos Salles, 521, o pedestal de um pequeno abajur é feito dessa madeira, onde a beleza de seus veios pode ser observada de forma tridimensional. Há, ainda, um porta-retrato montado em uma antiga vidraça, onde o mesmo também pode ser apreciado pelos turistas.